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Centro Espírita Disfarçado de Grupo de Pesquisa na Universidade Federal de Juiz de Fora

Nesta segunda-feira, 25 de outubro, o Programa de Pós-Graduação em Saúde na Comunidade da USP-RP promove a seguinte palestra:

“A contribuição das pesquisas sobre experiências espirituais para o aprimoramento do diagnóstico psiquiátrico e da relação mente-cérebro”

PALESTRANTE: Prof. Dr. Alexander Moreira de Almeida

– Professor Adjunto de Psiquiatria e Semiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF

– Diretor do NUPES – Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde da UFJF

Uma das táticas mais comuns de charlatões e pseudocientistas é encobrir seus devaneios com jargões pseudocientíficos na tentativa de ganhar credibilidade e até financiamento público. No caso do NUPES (Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde) na Universidade Federal de Juiz de Fora nem foi preciso um esforço muito grande. Bastou usar a palavra “espiritualidade” ao invés de espiritismo e voilá, não se trata mais de um centro espírita financiado pelo contribuinte mas sim de um grupo de pesquisa que

tem como missão desenvolver pesquisas interdisciplinares de excelência sobre as relações entre espiritualidade e saúde.

Apesar do jogo de palavras, está claro que este não se trata de um grupo de pesquisa de verdade que estuda a religião como um fenômeno natural, um objetivo que seria perfeitamente válido. A lista de publicações entrega o jogo. A maioria publicada na Revista de Psiquiatria Clínica da USP, consistem simplesmente de levantamentos de bibliografia espírita e de análises qualitativas completamente enviesadas.

Tome por exemplo o resumo abaixo de uma das publicações do palestrante e coordenador do NUPES, Dr. Alexander Moreira de Almeida (que também faz parte do conselho deliberativo do hospital espírita joão evangelista) intitulada O diagnóstico diferencial entre experiências espirituais e transtornos mentais de conteúdo religioso

CONTEXTO: Experiências espirituais podem ser confundidas com sintomas psicóticos e dissociativos, constituindo-se muitas vezes em um desafio para o diagnóstico diferencial.
OBJETIVO: Identificar critérios que permitam a elaboração de um diagnóstico diferencial entre experiências espirituais e transtornos psicóticos e dissociativos.
MÉTODOS:Foi feita uma ampla revisão na literatura sobre o tema, na qual foram examinados 135 artigos identificados em pesquisa no PubMed.
RESULTADOS:Foram identificados nove critérios de maior concordância entre os pesquisadores que poderiam indicar uma adequada diferenciação entre experiências espirituais e transtornos psicóticos e dissociativos. São eles, em relação à experiência vivida: ausência de sofrimento psicológico, ausência de prejuízos sociais e ocupacionais, duração curta da experiência, atitude crítica (ter dúvidas sobre a realidade objetiva da vivência), compatibilidade com o grupo cultural ou religioso do paciente, ausência de comorbidades, controle sobre a experiência, crescimento pessoal ao longo do tempo e uma atitude de ajuda aos outros. A presença dessas condições sugere uma experiência espiritual não patológica, mas, por outro lado, há carência de estudos bem controlados testando esses critérios.
CONCLUSÕES:Esses critérios propostos na literatura, embora alcançando um consenso expressivo entre diferentes pesquisadores, ainda precisam ser testados empiricamente e direções metodológicas para as futuras pesquisas sobre esse tema são sugeridas.
Palavras-chave: Alucinação, dissociação, possessão, transe.

Sem apresentar qualquer prova de que as ditas experiências espirituais realmente existem, o artigo consiste de citação após citação de uma literatura ultrapassada e/ou pseudocientífica de onde os autores extraem nove critérios que (não ria, eles estão falando sério) servem para diferenciar se uma pessoa está psicótica ou simplesmente possuída.

Em uma outra publicação, os autores vão ainda mais além e afirmam, novamente sem nenhuma base científica, que médiums e curandeiros espíritas em Puerto Rico e Brasil

often achieve positive results with persons manifesting psychotic symptoms or diagnosed with schizophrenia in that symptoms become less frequent and/or social adjustment improves. (em português: frequentemente obtem resultados positivos em pessoas manifestando sintomas psicóticos ou diagnosticados com esquizofrenia em que os sintomas se tornam menos frequentes e/ou o ajustamento social melhora.)

Em pesquisas verdadeiramente científicas tal conclusão só é tirada após um ou mais estudos onde os pacientes são cuidadosamente selecionados por apresentarem sintomas específicos e onde qualquer outra variável que possa influenciar os resultados (idade, sexo, renda, etc) é controlada. Os pacientes são então divididos (sem saber) em grupos, um experimental, onde a intervenção clínica que se deseja estudar é administrada, e um ou mais grupos controle, onde outras intervenções (ou mesmo apenas uma entrevista ou outra atividade que não seja uma intervenção clínica) são administradas. Os pacientes são então avaliados (geralmente por outros médicos que não sabem à qual grupo cada paciente pertence) seguindo critérios específicos e quantificáveis como por exemplo duração e frequência de surtos, etc, e os resultados são analisados estatisticamente para verificar se há diferenças significativas entre os tratamentos.

Nada disso foi feito no trabalho acima. Os autores basearam suas conclusões simplesmente em entrevistas com os médiuns e seus pacientes. O único “controle” feito foi comparar casos semelhantes tratados por medicina convencional que foram discutidos em conferências de medicina espírita. Em resumo, a conclusão do artigo é simplesmente inválida.

O NUPES parece ser a reencarnação de um outro grupo aparentemente extinto chamado Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, de São Paulo e que também foi coordenado por Alexander Moreira de Almeida (citado e apropriadamente desbancado aqui por José Colucci Jr.). Pelo menos um outro grupo similar existe na faculdade de medicina da UFMG.

Religião camuflada de pseudociência não é apenas um alvo fácil de piada. Na medida em que consegue passar por ciência e ganhar a credibilidade de uma universidade as consequências podem ser bem sérias. Pacientes com transtornos psicológicos podem estar sendo incorretamente diagnosticados, com consequências graves tanto para si mesmos quanto para seus amigos e familiares. Mesmo sintomas leves podem custar ao paciente seu emprego e causar grande sofrimento familiar se não forem corretamente identificados e tratados. Outro risco, ainda mais grave, é do terapeuta espírita desencorajar o paciente a seguir recomendações médicas verdadeiras.

As atividades do NUPES e de seus similares não são científicas e portanto os mesmos não podem ser considerados grupos de pesquisa e não deveriam ser parte de universidades de verdade e muito menos receber financiamento público. Suas táticas estão claras: disfarçar suas crenças religiosas com uma linguagem pseudocientífica e assim ganhar credibilidade e usufruir do dinheiro do contribuinte.

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16 thoughts on “Centro Espírita Disfarçado de Grupo de Pesquisa na Universidade Federal de Juiz de Fora

  1. Beth Barra says:

    Andre Luzardo, incrível que um profissional – você deve ser neurocientista ou psquiatra, precise tentar desqualificar o trabalho e a pesquisa de outros profissionais, chegando a usar expressões como charlatões e pseudocientistas e oferecendo recortes de textos e entrevistas do psiquiatra Alexander Moreira de Almeida. Suas críticas são baseadas na intolerância e aparente dificuldade de lidar com enfoques, pesquisas e direções que não sejam as suas próprias. Ao contrário do psquiatra Alexander, que em suas entrevistas -e nas teses de mestrado (UPS) e de doutorado (EUA) – tem a segurança de não desqualificar trabalhos e concepções pessoais de colegas. Acabo de ver e colo o post sobre a importância do trabalho do psquiatra Alexander Almeida –
    “O trabalho de pesquisa, debate e divulgação das relações entre espiritualidade e saúde permitiu ao professor do departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da UFJF, Alexander Moreira de Almeida, ter sua biografia publicada pelos tradicionais guias Who’s Who in the World (Quem é Quem no Mundo) e Who’s Who in Medicine and Healthcare (Quem é Quem na Medicina e Saúde). As publicações já existem há 110 anos e têm como objetivo reunir personalidades consideradas líderes influentes em diversas áreas e que colaboraram de modo significativo para o avanço em seus campos de atuação.

  2. Beth Barra says:

    Andre Luzardo, incrível que um profissional – você deve ser neurocientista ou psquiatra, precise tentar desqualificar o trabalho e a pesquisa de outros profissionais, chegando a usar expressões como charlatões e pseudocientistas e oferecendo recortes de textos e entrevistas do psiquiatra Alexander Moreira de Almeida. Suas críticas são baseadas na intolerância e aparente dificuldade de lidar com enfoques, pesquisas e direções que não sejam as suas próprias. Ao contrário do psiquiatra Alexander, que em suas entrevistas -e nas teses de mestrado (UPS) e de doutorado (EUA) – tem a segurança de não desqualificar trabalhos e concepções pessoais de colegas. Acabo de ver e colo o post sobre a importância do trabalho do psiquiatra Alexander Almeida:

    “O trabalho de pesquisa, debate e divulgação das relações entre espiritualidade e saúde permitiu ao professor do departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da UFJF, Alexander Moreira de Almeida, ter sua biografia publicada pelos tradicionais guias Who’s Who in the World (Quem é Quem no Mundo) e Who’s Who in Medicine and Healthcare (Quem é Quem na Medicina e Saúde). As publicações já existem há 110 anos e têm como objetivo reunir personalidades consideradas líderes influentes em diversas áreas e que colaboraram de modo significativo para o avanço em seus campos de atuação.

  3. André Luzardo says:

    Beth Barra, ser citado em uma publicação não-científica pouco ou nada fala sobre a qualidade das pesquisas realizadas por essa pessoa. Ainda menos quando a wikipedia tem isso à dizer sobre o processo seletivo dessa revista Who’s Who:

    Tucker Carlson, in an article entitled “The Hall of Lame” that appeared in Forbes Magazine in 1999, wrote that the selection process is neither rigorous nor meaningful, and self nominators and thousands of people not particularly notable are included, such as bowling coaches and landscape architects. Carlson also writes that Marquis makes money selling addresses to direct mail marketers.[7]

    Eu não tenho dificuldade nenhuma em lidar com enfoques diferentes, bem pelo contrário, acharia impressionante se alguém pudesse mostrar evidências de que existe vida após a morte, que médiuns recebem espíritos e que as pessoas são curadas por eles. Um conhecimento desses seria revolucionário! Infelizmente o Alexander não conseguiu mostrar nada disso, e as conclusões que ele tira nos seus artigos não são confirmadas pelas evidências que ele apresenta (quando apresenta). Mas se você acha que eu estou errado por favor mande uma pesquisa contendo evidências que realmente comprovem as conclusões que ele tira. Por exemplo, uma pesquisa que ele ou qualquer outro consegue mostrar que alguém tenha experiências genuinamente espirituais (ou seja, causadas por forças sobrenaturais como espíritos, deuses, etc) e que não sejam simplesmente resultado de sugestão, auto-hipnose, alucinação induzida ou não por substância, psicose, ou qualquer outra causa bem material. Eu fico no aguardo; já vou até preparando a mesa pro jogo do copo!

  4. André Stroppa says:

    O prezado colega foi pouco prudente ao criticar sem uma análise mais detida. Faço parte do NUPES, não sou espírita e trabalho com epidemiologia. Nenhuma investigação qualitativa foi feita (ainda) no núcleo. A acidez das palavras deixa a sensação de ataque pessoal. Deve ter o seu motivo.

  5. André Luzardo says:

    Você se engana, não houve ataque pessoal algum. Pelo contrário, fico contente que alguém do NUPES tenha comentado. De fato eu não analisei todos os artigos publicados por todos os membros do NUPES durante toda a existência do mesmo e portanto o trabalho onde vocês conseguem mostrar a existência de experiências genuinamente espirituais me escapou. Nesse caso eu e todo o resto da comunidade científica estamos por fora de uma das maiores descobertas de todos os tempos e eu ficaria incrivelmente agradecido se você pudesse me mandar essa referência.

    No entanto, se essas evidências não existem você poderia fazer a gentileza de me explicar por que publicações no site do NUPES assumem que elas existem? Se você puder, por favor me explique que metodologia científica permite tirar a conclusão de que

    spirit healers often achieve positive results with persons manifesting psychotic symptoms or diagnosed with schizophrenia in that symptoms become less frequent and/or social adjustment improves

    baseado apenas em “patients’ self reports and researchers’ observations?” Acho seguro supor que pessoas que procuram médiuns para tratar de seus problemas psicológicos irão mostrar um alto viés em favor desse tipo de intervenção, sem falar no viés dos próprios pesquisadores. Em nenhuma parte dessa publicação os autores explicam como essas variáveis foram controladas. Eles poderiam ter seguido a prática científica básica na área de atribuir os pacientes a um grupo controle (com tratamento médico) e a um grupo experimental (com tratamento espírita) randômicamente. Por que esse cuidado tão básico não foi tomado?

    Eu realmente gostaria que você pudesse esclarecer esses pontos e assim ajudar o resto da comunidade científica a tomar conhecimento de potenciais descobertas fantásticas. Do contrário eu não consigo ver como estudos com erros metodológicos crassos como os que eu citei, baseados em uma literatura pseudocientífica (Freud, Jung e Alan Kardec abundam) podem contribuir pro desenvolvimento científico brasileiro.

  6. Juninho says:

    Prezado André Luzardo, já li algumas críticas às pesquisas sobre espiritualidade e saúde, e sobre estados alterados de consciência. Evidentemente, essas críticas, como em qualquer outro campo de pesquisas, sempre existiram e, acima de tudo, devem existir, pois isso é algo intrínseco e necessário à ciência.

    Todavia, as críticas sempre devem ser bem fundamentadas e embasadas, sem o tom jocoso, irônico e desinformado, que, por sinal, eu percebo ao longo do seu texto e dos seus comentários.

    Na minha humilde opinião, você não foi nem um pouco cauteloso, nem prudente, com uma pessoa (Alexander) e com um grupo (NUPES) que, há anos, estão participando de alguns dos mais importantes congressos, do Brasil e do mundo.

    Afinal, se é tão fácil “colocar a luva de boxe e partir pra briga”, eu te pergunto: por acaso você foi à palestra do Alexander, que você mencionou, para debater, discutir, criticar, discordar? (afinal, a ciência é feita disso, não é mesmo?)

    Se você foi, que bom, parabéns, você então deve ter percebido o rigor, a seriedade e o critério com que o Alexander trata o seu trabalho. Ele sempre foi assim em todas as suas apresentações. Suspeito que deve ser por conta disso que ele e o NUPES constantemente estão participando dos maiores eventos do Brasil e do mundo.

    Porém, se você não foi à palestra, eu lamento muito, afinal, o campo de pesquisa em espiritualidade e saúde, e também em estados alterados de consciência, tem sido cada vez mais crescente e ampliado, com grandes profissionais do mundo todo se dedicando a estudá-lo e debatê-lo, seja em eventos, palestras, simpósios, congressos, livros e com publicações de estudos em grandes revistas científicas do mundo.

    Mas, será que você agora vai me jogar o seu ácido e me dizer que qualquer pessoa que se dedique a estudar esses assuntos deva ser queimada nas fogueiras da Academia e ser tratada como alguém que exerce uma “religião camuflada de pseudociência”? Se for assim, francamente, eu nem vou perder o meu tempo de listar para você alguns cientistas que estão estudando esses campos… Eu só posso me limitar a lembrar-lhe que o mundo e a ciência são muito maiores do que “a sua vã filosofia pode suspeitar”…

    Você se propõe ser racionalista, mas as suas próprias colocações, a meu ver, são tão precipitadas e descabidas, que chego até mesmo a pensar que não foram racionalistas, nem mesmo baseadas em evidência (ops, que paradoxo, que contradição)…

    Lembrando que toda postura científica deve ser rigorosa e criteriosa, porém, aberta. E é exatamente isso que a maioria daqueles que se dedicam a estudar espiritualidade e saúde e estados alterados de consciência se propõem e realizam.

    Por fim, só pra provocar, acho engraçado os discursos racionalistas que se julgam absolutamente isentos de qualquer fé ou posição metafísica…

    Sem mais, despeço-me.

    Passar bem.

  7. Janaína Siqueira says:

    “Centro Espírita Disfarçado de Grupo de Pesquisa na Universidade Federal de Juiz de Fora” -?????????????

    Bem… como disse Jesus: ” Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem …”

    Com certeza é o seu caso.

  8. Adriana Afonso says:

    André
    Um verdadeiro pesquisador é livre de preconceitos!!!!
    Se você tiver dificuldade de entender nosso trabalho, venha uma tarde conversar conosco no nosso grupo , ou viaje até a Espanha para se inteirar mais do assunto. Será um prazer recebê-lo!!!!
    ” Se Deus é por nós, quem será contra nós?” RM 8,31
    Simpósio Internacional em Psiquiatria e Experiências Religiosas: (Avila, Spain)
    Speakers: Mirna Nagib1, Alexander Moreira-Almeida1, Ilana Pinsky2, Marcos Sanches3, Raul Caetano4, Ronaldo Laranjeira2
    1. Research Center In Spirituality And Health, School Of Medicine, Federal University Of Juiz De Fora (UFJF)
    2. Alcohol and Drugs Research Unit (UNIAD), Department of Psychiatry, Universidade Federal de Sao Paulo (UNIFESP), Sao Paulo, SP, Brazil.
    3. IPSOS REID, Toronto, Canada
    4. Southwestern School of Public Health. University of Texas. Dallas, Texas, USA
    Religiousness and alcohol use in the brazilian population

    Alexandre Correa1, Alexander Moreira-Almeida1, Paulo Menezes2, Homero Vallada3, Marcia Scazufca3
    1. Research Center In Spirituality And Health, School Of Medicine, Federal University of Juiz De Fora (UFJF), Brazil
    2. Department of Preventive Medicine, School of Medicine. USP (University of Sao Paulo), Sao Paulo (SP), Brazil
    3. Department of Psychiatry, School of Medicine. USP (University of Sao Paulo), Sao Paulo (SP), Brazil
    Investigating the role of social support in the association between religiousness and mental health in low income older adults: results from the sao paulo ageing and health study

  9. Letícia Alminhana says:

    Prezado André Luzardo, sou doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Brasileira da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora. O NUPES é um dos núcleos de pesquisa vinculados à Faculdade de Medicina e é necessário nos questionarmos se uma Universidade Federal estaria comprometida com pesquisas de baixo nível de rigorosidade ou, ainda mais, se a Faculdade de Medicina possui o “Espiritismo” como uma de suas “linhas de pesquisa”.
    Penso que seria muito bom se pudéssemos trocar informações, esclarecer dúvidas e ouvir suas críticas, pois, entre tudo o que li, talvez o que o Nupes e você tenham em comum é a preocupação com o avanço de uma ciência séria e responsável.
    Como pesquisadora, gostaria esclarecer que nossos estudos relacionados à espiritualidade/religiosidade e saúde pretendem apenas observar e compreender melhor o fenômeno humano presente na cultura brasileira que influencia de maneira importante o modo como as pessoas entendem a vida, o mundo e, essencialmente, como isso interfere no comportamento saudável, no comprometimento com um tratamento específico e na diferenciação entre uma crença e um transtorno mental, por exemplo. Por isso, algumas de suas críticas podem ser úteis para nós, desde que, as pesquisas nessa área estão iniciando.
    Veja que estou lhe respondendo sem ataques febris e análises precipitadas, pois isso é o que considero “fazer ciência”.
    Você desconhece a tese de meu orientador, defendida na USP (que espero que não esteja vinculada a nenhum centro Espírita!) e você está fazendo afirmações a respeito de estudos, como o meu, que vem sendo desenvolvidos cuidadosamente há anos, sem entrar em contato e, sequer, ler nossa proposta de pesquisa. Como isso pode auxiliar no avanço da ciência?
    É pena. Suas afirmações sugerem dogma e não ciência. Porque não propor o debate ao invés de atacar? O ataque e a falta de abertura sim, são posturas pseudocientíficas.
    E, por último, só para esclarecer, nenhum de nós está propondo oferecer nenhuma descoberta mágica, estamos tentando estudar um tema óbvio, que por preconceito muitas vezes não tem feito parte de estudos acadêmicos.

    Caso você queira debater, contribuir e fazer ciência, estaremos aqui.

    Letícia

  10. Patrícia Pauli says:

    Acho complicado desvencilhar esse assunto de religião porque a figura ‘espírito’ surgiu na própria religião ou algum ritual supersticioso (que para mim é a mesma coisa), logo, é um elemento religioso. E isso indica que há influencia de ideologia pessoal neste estudo considerado cientifico.
    Acredito que a ciência exista quando os pressupostos de um objeto de estudo (ou teoria) tenha suas devidas evidências, perceptíveis aos nossos sentidos, que comprovam sua veracidade e não deixam dúvidas de sua existência partindo de um pensamento lógico. Se o pressuposto escapar disso não é ciência, e sim, mera especulação e crenças individuais compartilhadas por viverem em uma cultura que propicia tais experiências.
    Ao que indica, as críticas feitas nesse blog são totalmente cabíveis aos estudos do NUPE. Pelo que vejo estas pesquisas são apenas relatos de observações de determinadas experiências e a interpretação pessoal e superficial do ‘pesquisador’. Esperava que algum comentário a favor desses estudos refutaria tais críticas. Mas infelizmente não foi o caso, apenas mostraram que não conseguem receber críticas e partiram para ataques pessoais (exceto o comentário da Letícia que manteve uma postura sensata). Lamentável!

  11. Tiago Tatton says:

    Com todo respeito, amiga Patrícia, veja como o seu comentário é descabido. Primeiro: baseado em suas opiniões pessoais, afirma que religião e “crenças superticiosas” são a mesma coisa. Segundo: ignora o básico da filosofia da ciência e pretende dizer que no fazer científico não há influência de crenças pessoais. Isso sim é ultraje científico. Vejamos se, dessa vez, meu comentário será publicado.

  12. Patrícia Pauli says:

    Bom, pelo que eu percebo, dependendo do ponto-de-vista existem algumas diferenças entre religião e ritual supersticioso e por isso deixei os dois conceitos separados antes dos parênteses.
    Mas, ao que tudo indica (e também na minha opinião, logo, pouco relevante para se tornar foco especificamente desta discussão e por isso está entre parênteses), até mesmo sem muitos aprofundamentos já podemos perceber a relação intrínseca de ambos, basta olharmos o próprio conceito de superstição para percebermos que religião é um conjunto de rituais supersticiosos mais elaborados. Baseado em alguns estudos, que procuram entender a origem de religiões, rituais, magias, superstições (Emilie Durkheim e Marcel Mauss, que discriminam características peculiares e comuns a ambos). E também em observações de pessoas que acreditam que rezar, fazer procissões, pagar promessas fará com que seus objetivos sejam alcançados. Outras também acreditam quando um copo com água se mexeu sem uma causa visível à sensibilidade do nosso olho, é fruto da ação de um espírito. Nesses e em tantos casos parecidos existem tantas as causas possíveis, pra que relegar logo ao sobrenatural? Por ser mais fácil já que desde criança nos ensinam sem que tenhamos escolha?
    Enfim, isso tudo colaborou para minha visão.
    Sobre o segundo ponto: tenho conhecimento sobre a linha filosófica que diz o olhar cientifico ser influenciado pela ideologia pessoal, porém também conheço aquela que defende o contrário. Certamente grande parte dos estudos acaba sendo influenciado pela ideologia pessoal. Se é possível uma neutralidade absoluta em todas as pesquisas cientificas, já não posso afirmar. Mas que o pesquisador deveria se despir o máximo possível dela, disso não tenho dúvidas. Pelo que eu percebo existe uma gradação de influências pessoais nas pesquisas. É justamente essa minha crítica aos estudos do NUPES, que já partem de premissas/pressupostos formulados e não evidenciados. Me parece que tentam enquadrar de qualquer forma as pesquisas na sua visão de mundo e não tentam adaptar sua visão às evidências.
    Minha visão está baseada em indícios e vai se adaptando de acordo com a modificação eles. Se algum dia eu ver um experimento que tenha evidência lógica sobre existência de espíritos, possessão, mudarei sem problemas nenhum. Agora, novamente, já partir do pressuposto/premissa que algo já existe sem evidencias (ex.: existência de espírito) e tentar comprovar, a qualquer custo e com qualquer metodologia, fenômenos (possessão) originados dessa mesma premissa por meio de fatos que poderiam indicar outras causas, seria o que?
    Ou seja, o grande problema aqui seriam as premissas e a metodologia, pois é delas que decorrem as conclusões (verdades ou inverdades).

  13. Adair de Menezes Jr. says:

    Sr. André Luzardo,

    Pelo que o sr. apresenta na sua crítica ao artigo que encabeça seu texto, o sr. não leu os 135 artigos que foram consultados para a feitura do artigo citado em sua crítica. Se tivesse feito isso, teria visto o quanto um grande número de pesquisadores internacionais estão voltados para esta questão, com todo o rigor exigido pela ciência. Sugiro que o sr faça esta leitura antes de fazer comentários precipitados.

    Adair de Menezes Jr.

  14. guilherme says:

    é importantissimo ressaltar que a crítica refere-se a qualidade e veracidade de um trabalho, não podemos nos ater a publicar ou pesquisar atos e ideias, infelizmente por conhecer muito bem a ufjf não poderei discordar do sr. André, vários pesquisadores dessa instituição ainda se baseiam em ideias erroneas e possuem uma mentalidade regionalista e não cientifica o que coloca a ufjf a frente de um marketing e aquém das necessidades cientificas, pesquisar é um direito de todos, já usar recurso público para isso deve ser analisado com mais cuidado. certamente um bom discurso é suficiente para convencer mentes menos esclarecidas.
    A comunidade científica precisa de cientistas que se utilizem de evidencias- provas. como estamos lidando numa area em que é incapaz de produzir tal matéria fica ai o subjetivismo, e da mesma forma que o estado utiliza aqueles metodos psicotecnicos subjetivos para avaliar um individuo, a sociedade que beneficiada fica a merce de mentes.

  15. mimimimi vc eh mau luzardo mimimimi meu orientador é phdeus, mimimimi ciencia tb é crença pessoal, mimimi, vc eh mau, vc usa tom feio com a gente, mimimimimi mimimimimimi mimimimimi

    tanto mimimi pra tentar esconder o fato de q eles nao apresentam a mínima evidência da existência de espíritos e fenomenos realmente de origem espiritual.

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